Em seu novo projeto, Will Smith interpreta um cientista do exéricito americano, chamado Robert Neville, que tenta salvar a espécie humana da extinção, após um incidente causado pelo vírus Krippin, que acabou dizimando quase toda a população mundial. Os sobreviventes dividiram-se em dois grupos: o primeiro, composto por pessoas infectadas, tornou-se um exército de criaturas famintas (devido aos efeitos do vírus, transformaram-se em mutantes, meio vampiros, meio zumbis) e o segundo grupo, dos imunes ao vírus (algo em torno de 1% da população mundial), passou a ser devorado pelo mostros do primeiro grupo.
Passados três anos do incidente, Neville é, aparentemente, o único dos sobreviventes imunes ao vírus. Ele conseguiu manter-se vivo graças à sua experiência militar aliada a uma série de precauções, como a pontualidade em voltar para casa antes do anoitecer (hora em que os monstros saem para caçar) e o cuidado com que ele apaga seus vestígios (principalmente seus cheiro), jogando desinfetante nas redondezas de sua casa.
Basicamente essa é a história do filme que, descrita assim, pode até parecer meio absurda. Porém um dos méritos do filme é justamente mostrar essa história de uma forma bastante convincente e rica em detalhes. As ações do protagonista são todas bastante sensatas e, rapidamente, conseguimos nos identificar com ele e, principalmente, passamos a nos preocupar com o seu destino.

Assim acompanhamos o cotidiano de Neville, que além de se preocupar com as criaturas, ainda precisa combater outro inimigo: a solidão. Para evitar que ela (juntamente com o medo) acabem o enlouquecendo, Neville se agarra com todas as formças às tarefas rotineiras, que lhe dêem uma falsa sensação de "vida normal". Diariamente ele prepara suas refeições (sempre nos horários certos), vai até a locadora, onde escolhe filmes para assistir e conversa com alguns manequins, assiste ao jornal na televisão (programas gravados). Além disso, realiza pesquisas em busca de uma vacina para o vírus e procura por outros sobreviventes, transmitindo uma mensagem de rádio, ao estilo Danielle Rousseau de LOST.
Sua única compania viva é a cadela Samantha (os animais são parcialmente imunes ao vírus) e é tocante a forma como os dois se relacionam. Ele chega a arriscar a própria vida, ao perceber que Sam está em perigo. Aliás, o cachorro que interpretou Samantha, bem como seu treinador, deveriam ganhar um prêmio especial. Sam é extremanete expressiva e, além disso, suas ações parecem sempre naturais - algo dificil de ocorrer, já que, na grande maiorias das vezes, as ações dos animais são visivelmente "treinadas".

Will Smith está brilhante no papel, lembrando a sua performance em A PROCURA DA FELICIDADE. Me agradou muito a forma com ele demonstra o verdadeiro pânico que sente, ao se aproximar das criaturas. Ao contrário de outros blockbusters, onde o "mocinho" enfrenta os "vilões" com naturalidadee (parecendo estar jogando um videograme), aqui Neville fica quase paralisado pelo medo, suando e tremendo.
Já o visual do filme é simplesmente expetacular. É mostrada uma cidade inteira, abandonada, com carros destruidos por todos os cantos e com vegetação começando a cobrir as ruas. A cena que mostra Neville jogando golfe em cima de um porta-aviões é uma das mais expetaculares que já vi. Primeiro, pelo navio em si, na sua grandiosidade e repleto de aviões. Segundo porque, para completar, ele está ancorado ao lado de uma avenida, com centenas de carros abandonados. Simplesmente não consegui identificar o que era real e o que era digital ali naquela cena.
Falando em digital, minha única decepção no filme foram os zumbis, totalmente criados a partir de animação digital. Comparados com os outros efeitos do filme, eles parecem artificiais demais. Tenho certeza de que atores de carne e osso, devidamente maquiados (como, por exemplo, os Uruk-Hais de SENHOR DOS ANEIS), seriam muito mais assustadores e convincentes.
Enfim, este é um pequeno defeito, dentro de uma obra são bem realizada e inteligente - e que vale a pena assistir mais de uma vez.